FARELO DE TRIGO

Em nosso país a única alternativa para substituir o milho
nas rações, com características semelhantes às do cereal, é
o sorgo, que não se encontra disponível em muitas regiões,
de forma que se faz necessário buscar alimentos que, mesmo
com características bastante diferentes, possam substituir
os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos
leiteiros. Dentre as várias possibilidades, o ...

 

Em nosso país a única alternativa para substituir o milho
nas rações, com características semelhantes às do cereal, é
o sorgo, que não se encontra disponível em muitas regiões,
de forma que se faz necessário buscar alimentos que, mesmo
com características bastante diferentes, possam substituir
os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos
leiteiros. Dentre as várias possibilidades, o farelo de
trigo é mais uma alternativa interessante para substituir,
pelo menos em parte, o milho em grãos das dietas de vacas
em lactação.

Durante o processamento industrial do trigo, cerca de 70 a
75% da massa de grãos é convertida em farinha, sendo que os
25 a 30% restantes são considerados sub-produtos,
normalmente comercializados como Farelo de Trigo. Como o
foco da indústria é o endosperma dos grãos, rico em amido,
o Farelo de Trigo é composto basicamente pela fibra,
células da aleurona e parte do germe, resultando num sub-
produto com teor energético elevado e bom teor protéico. O
sub-produto contém teores mais elevados de fibra, proteína
e minerais do que os grãos integrais, com teores menores de
amido e energia (BLASI, et al., 1998).

DHUYVETTER et al. (1999) ressaltam que, por conter níveis
elevados de fibra e níveis baixos de amido, em relação ao
grão integral de trigo, e também a outros cereais, o farelo
de trigo pode ser uma alternativa muito interessante em
dietas de bovinos, principalmente quando se utiliza altos
níveis de concentrado, esperando-se menor incidência de
distúrbios digestivos. Os autores afirmam que o sub-produto
pode ser um excelente suplemento para vacas sob pastejo,
principalmente quando a forragem é de baixo valor
nutritivo. A proteína do farelo de trigo é altamente
degradável no rúmen, sendo utilizada com eficiência por
ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade, que via
de regra são deficientes em proteína degradável no rúmen.
Para testar a viabilidade da inclusão do farelo de trigo
(FT) em dietas já contendo polpa cítrica em substituição a
parte do milho, realizamos recentemente outro trabalho na
ESALQ/USP. As dietas foram formuladas através do programa
NRC (2001) para serem isoprotéicas (17,0% PB). Os
ingredientes utilizados foram: silagem de milho, milho
moído fino, polpa cítrica peletizada, farelo de trigo, soja
extrusada, farelo de soja, uréia, suplemento mineral e
vitamínico e bicarbonato de sódio. Na Tabela 1 são
apresentados os dados de produção e composição do leite,
ingestão de matéria seca e nitrogênio uréico no leite.

Como pode ser observado, a inclusão do farelo de trigo não
alterou o consumo de matéria seca, mas causou redução em
praticamente todos os demais parâmetros avaliados. Houve
efeito quadrático sobre a produção de leite (P<0,01), com
valores mais elevados para TRG 10 e mais baixos para TRG
20, mas quando foi feita a correção para 3,5% de gordura,
observou-se nítido efeito linear de redução desse parâmetro
à medida que se adicionava o farelo de trigo à dieta
(P<0,05). Com relação à composição do leite, a inclusão do
subproduto provocou a redução da produção total de gordura,
proteína (P,0,05) e lactose do leite (P<0,01), com
consequante redução na produção de sólidos totais e sólidos
não gordurosos do leite (P<0,05). Por se tratar de um
subproduto fibroso, seria de se esperar que a inclusão do
farelo de trigo pudesse causar um aumento na síntese de
gordura no leite, o que não ocorreu.

Conforme relatam SANTOS et al. (2005), a literatura é
carente em dados de comparação do farelo de trigo com
outras fontes energéticas, especialmente o milho, de forma
que é difícil comparar os dados obtidos neste trabalho com
os de outros pesquisadores. ACEDO et al.(1987) formularam
concentrados com 0; 20 e 40% e 0; 40 e 60% de FT em dois
experimentos. A produção de leite das vacas que receberam
20 ou 40% de farelo de trigo foi semelhante à das vacas
controle, mas a produção das que receberam 60% do
subproduto no concentrado diminuiu, da mesma forma que no
presente experimento. O teor de gordura no leite foi
semelhante em todos os grupos. Nesta mesma linha de
trabalho, MILLER et al. (1990), substituiram parte da
silagem (mistura de gramínea com leguminosa) por uma
mistura de vários subprodutos fibrosos, com predominância
da polpa de beterraba (28,8% da MS da dieta) e farelo de
trigo (25% da MS da dieta). O grupo que recebeu a dieta com
subprodutos produziu mais leite (35,2 x 32,1 kg/dia), com
maior teor de proteína (1,13 x 0,97 kg/dia) e consumiram
mais FDN (1,16 x 1,05 % do peso vivo) e FDA (0,58 x 0,51%
do PV). Outro efeito interessante, foi o aumento linear no
teor de nitrogênio uréico do leite (P<0,01) com a inclusão
do subproduto na dieta, o que pode refletir uma piora na
utilização da proteína da dieta com a utilização do farelo
de trigo, uma vez que a proteína deste subproduto é de alta
degradabilidade ruminal (79,3%, segundo o NRC, 2001). Ao
ser incluído em dietas com farelo de soja e soja extrusada,
pode ter havido sobra de proteína degradável no rúmen,
causando a elevação nos níveis de NUL.

Tabela 1. Ingestão de matéria seca, produção e composição
do leite e concentração de nitrogênio uréico no leite para
os diferentes tratamentos.



TRG 0= 20% milho moído fino; TRG 10= 10% milho moído fino +
10% farelo de trigo; TRG 20 = 20% farelo de trigo; Pr>F=
probabilidade de haver efeito significativo entre os
tratamentos; EPM= erro padrão da média; LCG 3,5= leite
corrigido para teor de gordura igual a 3,5%; IMS= ingestão
de matéria seca; NUL= nitrogênio uréico no leite.

Pelos resultados obtidos nesse trabalho pode-se concluir
que a substituição dos grãos de milho pelo farelo de trigo
em dietas de vacas leiteiras em confinamento, produzindo em
torno de 30 kg leite/dia, com o nível mais alto de
inclusão, foi desvantajosa. No entanto, no nível
intermediário de substituição observou-se aumento na
produção de leite, sem alteração nos parâmetros de
composição do leite. Nesse caso, quando o custo de
aquisição do subproduto for competitivo em relação ao
milho, sua utilização pode ser uma alternativa interessante
em sistemas de produção de leite.

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